segunda-feira, janeiro 02, 2006

''Não é mais hype ser DJ'', diz Gilles LeGuen, que tocou no Vegas




O DJ francês Gillles LeGuen é o convidado da noite Neverland desta sexta (16.12), no Vegas. Com sets de punk-funk e new wave, ele divide as picapes com Jackson Araujo.

Gilles, que é radicado em NY e ganhou fama com suas coletâneas "Decadanse", tem a expertise de antecipar tendências e revelar inteligente material de pesquisa fonográfica por meio de seu trabalho.

Ele esteve no galpão da House of Erik!a Palomino na quinta (15.12), logo após aterrisar em SP, e falou de suas influências, o fim do electro e a diferença entre as noites de Paris e NY.

Confira os highlights da entrevista:

SITE EP – De onde vem a paixão por música?
GILLES - Sou de uma cidade na França, a Bretanha, que é conhecida pelo forte movimento rocker. Dizemos que é a Manchester francesa. É uma região de origem celta, um povo que gosta muito de festa e música, uns loucos. Eu não poderia ser diferente.

SITE EP – Quando começou a tocar em clubes?
GILLES - Em 1984, quando tinha 20 anos e mudei pra NY. Trabalhava como garçom no restaurante Lot 61, que abrigava festas bombadas do Depeche Mode e Helmut Lang. Quando descobriram que eu tinha um programa de rádio da França, me obrigaram a discotecar. Eu disse que só trocava os CDs na rádio e eles me perguntaram se não era isso que fazia um DJ!!!

SITE EP – O que faz um DJ então?
GILLES – É basicamente isso mesmo. As pessoas chamam também de "selector", que é alguém que apenas escolhe as músicas pra tocar. Como nunca tinha pensado em ser DJ, comprei umas quatro coletâneas, tipo as do Café Del Mar e Blue Notes, pra poder começar.

SITE EP – Como você define o seu som?
GILLES – É uma mistura de pós-punk, new wave, punk-funk... Só não posso chamar de electro, por que ninguém mais usa este termo em NY. Tento evitar hits nos meus sets, dou preferência a bandas obscuras. Em clubes, tento manter um clima dançante. Quando abro shows de bandas como Gang of Four e Sonic Youth deixo o som mais pesado.

SITE EP – E qual é o som que vai ocupar o lugar do electro então?
GILLES – Aposto num tipo de música chamada cold wave. É similar à fase inicial do gótico, quando as pessoas não sabiam deste nome. É tipo pós-punk, menos barulhento e mais leve. Introspectivo, porém dançante.

SITE EP – A tecnologia facilita o trabalho do DJ? Acha que qualquer pessoa pode ser DJ?
GILLES – A tecnologia ajuda muito, mas o que acontece é justamente o contrário. Hoje as pessoas querem fazer parte de uma banda e tocar instrumentos analógicos. Não é mais hype ser DJ, ainda bem! Assim, só sobram DJs de verdade no mercado.

SITE EP – Qual o lugar mais legal para sair, NY ou Paris?
GILLES – Acho que NY. Lá as festas são mais baratas, ás vezes com open bar, todo mundo bebe e dança bastante. Os parisienses fazem muito carão! O mais legal de NY hoje são festas em lobby de hotel. Toquei no lobby do Tribeca Grand Hotel numa festa muito fina.

SITE EP – E o que você espera de sua noite no Vegas?
GILLES – Tenho certeza que as pessoas daqui adoram dançar. Isso ajuda. Eu não danço, aliás acho que nenhum DJ dança. Só arrisco quando estou muito bêbado, então talvez eu dance um pouco na sexta. 15.12.2005

ANDRÉ DO VAL@ERIKA PALOMINO

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