sexta-feira, novembro 04, 2005

Italianos estão ficando mais velhos, pobres e infelizes

ROMA (Reuters) - Esqueça a dolce vita. Os italianos estão ficando mais velhos, pobres e infelizes, segundo relatório divulgado na sexta-feira pelo instituto nacional de estatísticas, Istat.

O mais recente retrato das tendências sociais e demográficas mostra que a Itália está envelhecendo mais rápido do que qualquer outro país europeu.

No começo deste ano havia 137,7 pessoas com 65 anos ou mais para cada 100 pessoas com menos de 15 anos. O índice de envelhecimento vem crescendo regularmente nos últimos anos -- era 135,9 em 2004 e 129,3 em 2001.

A tendência, já bem estabelecida no norte e centro, mais industrializados, agora se espalhou também para a região sul conhecida como Mezzogiorno. O resultado é que o número de jovens é maior que o de idosos apenas em duas regiões da Itália -- a Campânia, ao redor de Nápolis, e a Bolzano, nos Alpes. A expectativa de vida continuou a crescer -- em 2004 chegou a 83,7 anos para mulheres e 77,8 para homens. Mas isso também aconteceu com o descontentamento com as condições de vida.

Segundo o estudo, 47,8 por cento das pessoas com idade acima de 14 anos se disseram insatisfeitas com sua situação econômica, mais que os 44,2 por cento em 2003 e 40,4 por cento em 2002. A percentagem de famílias que acham que seus meios financeiros são escassos ou inadequados também cresceu, enquanto que apenas uma em cada cinco pessoas estão insatisfeitas com seu emprego.

O quadro de crescente insatisfação num país conhecido por sua beleza, boa comida e atitude descontraída foi divulgado antes de uma eleição geral -- a expectativa é que seja realizada em abril de 2006 -- e num pano de fundo de estagnação econômica. O governo prevê crescimento de apenas 0,2 por cento em 2005, depois de uma recessão inesperada.

Entre as poucas boas notícias, a Istat disse que a taxa de fertilidade aumentou, atingindo seu nível mais alto em 15 anos. As italianas agora têm 1,33 filho em média -- o que, no entanto, ainda é uma das taxas mais baixas da Europa ocidental.

(Por Silvia Aloisi)

Nenhum comentário: